USIMINAS, CONFAB E LUPATECH GANHAM COM PRÉ-SAL, DIZEM ANALISTAS
São Paulo, 28 - Se a disputa política pelos ganhos com as reservas gigantes de petróleo da área do pré-sal chegaram a afetar as ações da Petrobras, as perspectivas sobre a exploração dos megacampos deverão favorecer os papéis de outras empresas
negociadas na bolsa paulista. Na avaliação de analistas de mercado, as maiores beneficiadas deverão ser a Usiminas, Confab e Lupatech, fornecedores de produtos e insumos para o setor petrolífero.
O otimismo com a cadeia de empresas ligadas ao pré-sal é grande por causa da expressiva quantidade de recursos envolvida. Avalia-se que serão necessários, nos próximos 30 anos, investimentos da ordem de US$ 600 bilhões na exploração de todas as reservas estimadas, que podem se estender desde a costa do Espírito Santo até Santa Catarina.
Para o banco suíço UBS, as jazidas têm potencial para a produção de 50 bilhões de barris de petróleo. Nos 54 anos desde a sua fundação, a Petrobras investiu US$ 144,115 bilhões em todas as suas áreas de atuação. "São quatro vezes o histórico de
investimentos da Petrobras", ressalta o analista da corretora Coinvalores, Marco Saravalle.
A Lupatech, que produz equipamentos para exploração de poços e cabos para ancoragem e plataformas em águas profundas, é uma das empresas que podem ser beneficiadas pelo pré-sal. "Cerca de 62% da receita da companhia, que tem a Petrobras como uma das suas principais clientes, vem do fornecimento de produtos para o setor de óleo e gás", afirma Saravalle.
A previsão da petrolífera estatal é de perfurar 11 poços na área pré-sal só na Bacia de Santos. "A Lupatech tem hoje backlog de contratos (ordens firmes já garantidas junto aos clientes) no valor de R$ 550 milhões", destaca o analista. A empresa também está investindo em aquisições de concorrentes para dar conta da demanda. Está em andamento a compra de quatro empresas: Gavea Sensors, Fiberware, Tecval e Sinergás GNV do Brasil.
Desde o início de novembro, quando a Petrobras anunciou oficialmente a descoberta da maior área petrolífera do País, as ações da Lupatech subiram 23,4% - mesmo diante da volatilidade que se abateu sobre a Bovespa.
Outra empresa que deve ganhar com as novas explorações é a Confab, líder nacional na produção de tubos de aço usados no transporte de petróleo e gás. "O combustível retirado das jazidas, localizadas a 300 quilômetros da costa, terá de ser transferido e isso será feito pelos dutos", explica o analista da Wintrade, Fausto Gouveia. As ações da empresa acumulam valorização de 11,3% desde novembro.
Atualmente, 82% da receita da Confab vem da comercialização deste segmento, destaca Saravalle. "E a sua carteira de pedidos fechou o segundo trimestre em R$ 1,895 bilhão, sendo apenas R$ 382 milhões para outros equipamentos que não tubos", diz ele.
A demanda por aço para a construção dos equipamentos e plataformas necessários para a exploração do pré-sal também tende a beneficiar a Usiminas, uma das maiores siderúrgicas do País. "A empresa tem 100% de participação no mercado interno no
fornecimento de aço para a indústria naval do País", afirma Saravalle. O segmento representa, por enquanto, apenas 1% do total de vendas da Usiminas. "Mas embora o setor seja ainda pouco representativo para a empresa, já reflete positivamente nos
resultados", diz.
Além disso, a Usiminas é também uma das maiores fornecedoras de aço para a Confab fabricar seus tubos. As ações da siderúrgica estavam cotadas a R$ 57,76 no início de novembro e atingiram um pico em maio, quando alcançaram os R$ 92,71,
mas a queda dos preços dos insumos básicos negociados no mercado (as chamadas commodities) afetaram os papéis da empresa, que hoje estão cotados em R$ 55,50.
(Mariana Segalla)
Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
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