14:28 BOE EMBARALHA ANALISTAS E CONFUNDE EXPECTATIVAS P/REUNIÃO DE AGOSTO
Londres, 9 - Ao decidir deixar inalterada a estratégia de compra de títulos, o Banco da Inglaterra não só surpreendeu como embaralhou as expectativas dos analistas sobre os próximos passos da política de desaperto quantitativo.
Com os juros já no piso de 0,5% ao ano, era esperado que a autoridade ampliasse hoje o volume do programa em 25 bilhões de libras, para o teto de 150 bilhões de libras estabelecido meses atrás.
Agora, apesar de enxergarem a necessidade de mais alívio monetário, os economistas se dividem sobre as próximas decisões do BC inglês - e a reunião de agosto ganha uma importância inesperada.
Para alguns, o freio de hoje sinaliza que o afrouxamento quantitativo chegou ao final. Já outros analistas dizem que a autoridade terá até mesmo de ampliar o limite do programa, aumentando ainda mais a compra de títulos nos próximos meses.
"Eles devem parar o programa por aqui, não porque estão extremamente confiantes com a recuperação econômica, mas porque já fizeram tanto que agora devem aguardar os efeitos", acredita Karen Ward, do HSBC.
Para Peter Dixon, do Commerzbank, a decisão de hoje pode ser vista como evidência de que o BoE pode fazer uma parada na estratégia de imprimir dinheiro novo, algo polêmico e com resultados ainda desconhecidos. "Nada impede que o BC faça uma pausa por alguns meses e retome o programa depois."
Já outros analistas avaliam que a fragilidade econômica levará o Banco da Inglaterra a tomar novas medidas. A primeira seria fazer em agosto aquilo que era aguardado para hoje: anunciar mais 25 bilhões de libras, atingindo o limite.
Instituições como o BNP Paribas e o Standard Chartered veem a possibilidade de o BoE ir além e até pedir autorização do Tesouro para elevar o teto permitido, superando os 150 bilhões de libras.
Samra Al-Harthy e Sarah Hewin, do Standard Chartered, escrevem que o BC inglês deve "manter a mente aberta" sobre a ampliação do limite. "A recessão tem sido mais severa do que o esperado, com possibilidade de uma retração de 5,2% no PIB do segundo trimestre na base anual."
O economista Dominic Bryant, do BNP Paribas, diz que está "confiante" de que a autoridade superará os 150 bilhões de libras, mas avalia que o prazo para essa atitude "está mais incerto", após a surpresa de hoje.
Apesar dos sinais de retomada, ele lembra que o PIB do primeiro trimestre sofreu forte revisão para baixo (de -1,9% para -2,4%, na margem) impedindo qualquer revisão mais expressiva das projeções a serem divulgadas no próximo relatório de inflação do BoE, também em agosto.
Para Karen, do HSBC, se a política monetária não se mexer mais a partir de agora, a inflação só atingirá a meta de 2% em dois anos.
"Não vemos a inflação se tornando um problema nos próximos dois anos, o que deve permitir que o BoE mantenha os juros em nível baixo por um período prolongado", diz o Standard Chartered. (Daniela Milanese)
quinta-feira, 9 de julho de 2009
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