quinta-feira, 2 de julho de 2009

CRISE MUNDIAL DO EMPREGO VOLTA À TONA COM DADOS DOS EUA E EUROPA

CRISE MUNDIAL DO EMPREGO VOLTA À TONA COM DADOS DOS EUA E EUROPA

São Paulo, 2 - Os dados de emprego nos EUA e na zona do euro caíram como um banho de água fria sobre os mercados hoje, que constataram que a recuperação no mercado de trabalho vai demorar para acontecer e deverá ser bastante lenta. Só nos EUA, foram eliminadas 467 mil vagas em junho, um total de 6,5 milhões de empregos perdidos desde o início da recessão por lá, em dezembro de 2007. Na zona do euro, o total de desempregados subiu para 15 milhões em maio, um aumento de 273 mil apenas nesse mês.

Em outras economias avançadas, o quadro do desemprego também é preocupante. Em maio, o Japão contava com 3,47 milhões de pessoas desempregadas, um salto de 770 mil no mês. No Reino Unido, o número de desempregados atingiu 2,26 milhões em abril.

Em termos de taxa de desemprego, a situação é igualmente ruim. A taxa nos EUA, divulgada hoje, subiu para 9,5% em junho, a maior desde agosto de 1983. Na zona do euro, a taxa em maio também atingiu 9,5%, que é a maior desde maio de 1999 para a região. Os dados do Japão mostram que a taxa de desemprego subiu para 5,2% em maio,a mais alta desde setembro de 2003. E no Reino Unido, a taxa em abril avançou a 7,2%.

Preocupada com a situação do mercado de trabalho mundial, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) realizou em junho a 98ª Conferência Internacional do Trabalho, em que adotou um "Pacto Global de Emprego", com intuito de guiar políticas nacionais e internacionais para estimular a recuperação econômica, gerar empregos e oferecer proteção para os trabalhadores e suas famílias, segundo comunicado da organização.

"É preciso ação urgente agora para impulsionar a recuperação econômica e a criação de emprego, enquanto nos preparamos para uma economia global mais equilibrada, mais justa e sustentável", disse o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, no comunicado.

Pelo menos no emprego, a recuperação deve demorar. O diretor-geral da OIT acredita que, mesmo que a retomada da economia comece este ano ou no próximo, a crise global de emprego pode durar de seis a oito anos. Além disso, para acomodar as 45 milhões de pessoas que entram a cada ano no mercado de trabalho global, será preciso criar cerca de 300 milhões de novos empregos nos próximos cinco anos apenas para retornar aos níveis de desemprego anteriores à crise.

Nos EUA, a constatação de que a economia não apenas precisa parar de eliminar empregos, como também tem de criar vagas novas para acomodar os que estão entrando no mercado de trabalho, faz com que muitos economistas acreditem que a taxa de desemprego atingirá 10% em breve. Vale destacar que, se os norte-americanos que não procuraram emprego nas quatro semanas anteriores à pesquisa para o dado de junho e aqueles que trabalham período parcial involuntariamente fossem incluídos na taxa de desemprego, ela já estaria em 16,5% em junho.

"O emprego costuma ser um indicador atrasado, mas está quase se tornando um indicador antecedente neste cenário", afirmou Doug Roberts, estrategista-chefe de investimentos da Channel Capital Research. "Neste momento, se o consumidor sentir que há perspectiva de ele ficar desempregado, ele vai segurar os gastos. Essa é uma recessão liderada pelos consumidores e, apesar dos melhores esforços do governo dos EUA, não se consegue fazer com que eles gastem."

Ao se transpor a situação do emprego nos EUA para a política monetária, os temores de inflação se mostram exagerados e parece cada vez mais provável que o Federal Reserve vá manter a política como ela está pelo menos por enquanto. Até porque, o relatório de hoje nos EUA mostrou que o salário médio por hora trabalhada ficou estável em junho, em US$ 18,53.

"Se os salários estão fracos e não há contratações, é difícil vislumbrar um ambiente em que o Fed precise apertar a política monetária", afirmou o colunista da Dow Jones Michael S. Derby, na coluna "Fed Watch".

Na zona do euro, a situação mais complicada é a da Espanha, que registrou taxa de desemprego de 18,7% em maio, a maior da União Europeia. Um dos motores de crescimento econômico e criação de emprego da zona do euro no passado, a Espanha sofre desde 2008 com o aumento da crise financeira global, que provocou forte correção na indústria imobiliária do país. O Produto Interno Bruto (PIB) espanhol caiu 1,9% no primeiro trimestre em relação ao quarto, a maior queda desde o início dos registros, em 1970. Dado o aumento do desemprego na Espanha, a associação de agências de trabalhadores temporários AGETT estima que o governo pagará este ano 33,5 bilhões de euros em auxílio-desemprego, ou 3,1% do PIB.

Entre os sinais positivos de todos os dados de emprego está o fato de que alguns países mostram desaceleração na perda de emprego. Nos EUA, por exemplo, a média de cortes nos primeiros três meses do ano era de 691 mil empregos por mês, ante eliminação de 467 mil em junho. Na zona do euro, pesquisas recentes de atividade nos setores de serviços e manufatura indicaram que o ritmo de perda de emprego diminui há dois meses seguidos. Resta saber se a melhora é pontual ou duradoura.

"No mês passado ficamos com a sensação de que havia alguma melhora (nos EUA), mas há uma preocupação generalizada de que ainda estamos olhando para um mercado de trabalho que não melhora nada", comentou Rick Klingman, chefe de negociação em Treasuries do BNP Paribas, em Nova York. (Nathália Ferreira)

DESEMPREGO INDICA SOLAVANCOS NA RECUPERAÇÃO ECONÔMICA/EUA

DESEMPREGO INDICA SOLAVANCOS NA RECUPERAÇÃO ECONÔMICA/EUA

Nova York, 2 - A forte queda do emprego em junho serve como advertência sobre a estrada longa e cheia de solavancos para a recuperação da economia dos EUA. A avaliação é do economista-chefe da consultoria norte-americana IHS Global Insight, Nigel Gault. Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, o número de postos de trabalho fechados no país totalizou 467 mil em junho, ficando em um nível pior em relação ao que os participantes do mercado esperavam (cerda de 350 mil) e representa um revés quando comparado às perdas de 322 mil vagas no mês anterior.

Gault ressalta que o fechamento de vagas piorou nos setores de serviços e de construção. Ele pondera também que as perdas no setor de manufatura foram pesadas, "mas não tão ruins quanto nos meses anteriores". Apesar disso, ainda preocupa o analista o fato de que as demissões no setor continuam em três dígitos.

Segundo o Departamento de Trabalho, em junho, 136 mil vagas foram cortadas no setor de manufatura. O departamento calcula que, desde o início da recessão em dezembro de 2007, o setor de manufatura fechou 1,9 milhão de postos de trabalho. Levando em consideração todos os setores da economia norte-americana, o Departamento de Trabalho também aponta que, "desde o início da recessão em 2007, o número de demitidos no país aumentou em 7,2 milhões". O total de desempregados está em 14,7 milhões de pessoas.

Na opinião de Gault, o relatório divulgado hoje indica que levará muito mais tempo para que o mercado de trabalho tenha estabilização em comparação ao que deve ocorrer com o PIB ou com a produção industrial no país. "Esperamos que as perdas de vagas continuem ao longo de 2009 e que a taxa de desemprego atinja o pico em 10,3% no primeiro semestre de 2010", prevê.

O documento mostra que a taxa de desemprego avançou de 9,4% para 9,5%, em junho. Apesar de subir apenas 0,1 ponto porcentual, os participantes do mercado estimam que a marca de 9,5% representa o maior nível da taxa de desemprego em aproximadamente 26 anos.

Gault avalia que o efeito adverso do avanço do desemprego sobre os salários dos norte-americanos fica evidente na remuneração média por hora trabalhada. Esta medida ficou inalterada em US$ 18,53, "prejudicando o poder de compra dos consumidores". O analista acrescenta que o desemprego em nível alto e ainda mostrando elevação faz com que os aumentos salariais tendam a ser zero. Por isso, para Gault, são prematuros os temores relacionados à inflação baseados no que seria um 'excessivo' estímulo monetário e fiscal no país. (AE)

NY: JUROS DA T-NOTE DE 2 ANOS CAEM ABAIXO DE 1% APÓS PAYROLL

NY: JUROS DA T-NOTE DE 2 ANOS CAEM ABAIXO DE 1% APÓS PAYROLL

Nova York, 2 - Os preços dos Treasuries fecharam em alta, com respectiva queda dos juros, impulsionados pelo fraco dado do mercado de mão de obra dos EUA que levantou dúvidas sobre uma rápida recuperação econômica. Com os ganhos desta semana, os juros projetados pelas T-notes de 2 anos caíram abaixo de 1% pela primeira vez em um mês.

A aversão ao risco disparou na última sessão antes do feriado do Dia da Independência americana depois que o relatório do Departamento do Trabalho revelou uma perda acima do esperado no número de vagas em junho, esfriando as especulações de qualquer aperto monetário no final do ano à medida que diminuem as expectativas de inflação.

Os investidores descarregaram posições em ações e nas commodities e buscaram conforto na dívida governamental de baixo risco, tal demanda por Treasuries do movimento de fuga por qualidade ofuscou a pressão da oferta de novos bônus na próxima semana, que somará US$ 136 bilhões.

"Existe um limite de quanto os yields podem subir baseado no conceito de 'brotos verdes' e até que existam sinais de que a economia está se movendo em direção a condições autossustentadas, os yields provavelmente vão permanecer baixos, particularmente na parte curta da curva de juros", disse Tony Crescenzi,estrategista e vice-presidente sênior da Pacific Investment Management Co em Newport Beach (Califórnia).

O Departamento do Tesouro anunciou hoje que vai vender na próxima semana US$ 63 bilhões em bills, US$ 8 bilhões em notes Tips de 10 anos (ativos indexados à inflação), US$ 35 bilhões em notes de 3 anos, US$ 19 bilhões em uma reabertura de notes de 10 anos e US$ 11 bilhões em uma reabertura de bônus de 30 anos.

No final da sessão em Nova York, os juros projetados pelos T-bonds de 30 anos estavam em 4,319%, de 4,338% ontem; os juros das T-notes de 10 anos estavam em 3,497%, de 3,542% ontem; os juros das T-notes de 2 anos estavam em 0,986%, de 1,045% ontem. As informações são da Dow Jones. (Suzi Katzumata)

BOVESPA VOLTA A TER SAÍDA DE K EXTERNO APÓS 4 MESES DE SUPERÁVIT

BOVESPA VOLTA A TER SAÍDA DE K EXTERNO APÓS 4 MESES DE SUPERÁVIT

São Paulo, 2 - Com a saída de R$ 1,093 bilhão em junho, o fluxo de capital externo na Bovespa voltou a ser negativo, após quatro meses consecutivos de superávit. A fuga de estrangeiros, com a maior aversão ao risco no cenário externo, precede a entrada recorde de R$ 6,083 bilhões registrada em maio. O déficit mensal é resultado de compras de R$ 40,450 bilhões e vendas de R$ 41,543 bilhões.

Em 30 de junho, foi apurada a saída de R$ 56,962 milhões da bolsa paulista. Com essa retirada, o superávit do ano cai para R$ 10,107 bilhões. Na terça-feira, o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 1,29%, aos 51.465,46 pontos, com destaque para VisaNet - que já havia subido 11,80% na véspera, em sua estreia.

Ao longo de junho, o balanço mensal chegou a ser negativo em R$ 3,188 bilhões no dia 23, em uma sessão movimentada pela Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Brasil Telecom. Naquele dia os estrangeiros retiraram R$ 1,061 bilhão da bolsa.

Segundo operadores, o momento é de correção. Em busca de soluções para reerguer o sistema financeiro mundial - após um período extremamente turbulento que culminou com a quebra do Lehman Brothers - a injeção de capital dos bancos centrais em todo o mundo serviu para sustentar o início da retomada econômica. No entanto, alguns analistas apontam que os atuais níveis de preço das ações e das commodities já não se sustentam. O petróleo, por exemplo, acumulou alta de 40% apenas no segundo trimestre deste ano. (Fabiana Holtz)

FECHAMENTO: BOVESPA SEGUE REAÇÃO DE NY A PAYROLL RUIM E CAI 1,01%

FECHAMENTO: BOVESPA SEGUE REAÇÃO DE NY A PAYROLL RUIM E CAI 1,01%

WSJ: CONSENSO INTERNACIONAL VAI EVITAR QUEDA DO DÓLAR, DIZ MERKEL

WSJ: CONSENSO INTERNACIONAL VAI EVITAR QUEDA DO DÓLAR, DIZ MERKEL

Berlim, 2 - A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse em entrevista ao Wall Street Journal que está otimista de que o consenso internacional vai evitar um declínio no dólar, apesar de algumas preocupações nos mercados financeiros sobre o déficit e a expansão monetária dos EUA. Um colapso do dólar atingiria articularmente os exportadores europeus, tais como a Alemanha, porque o euro tende a se ajustar mais livremente contra o dólar do que a maioria das moedas asiáticas.

"A cooperação entre os atores políticos no processo do G-20 está conduzindo à disseminação de um entendimento comum das ligações entre nós", disse. Os líderes políticos nos EUA, Europa e Ásia "sabem que um enfraquecimento de curto prazo de outra parte sempre se volta contra si próprio no longo prazo", disse Merkel.

As preocupações da chanceler alemã com relação a instabilidade nas finanças globais a colocaram em divergência com as autoridades americanas, que estão adotando medidas políticas mais agressivas do que muitos países da Europa para reviver o crescimento econômico, e autoridade do Reino Unido, que estão buscando defender a competitividade de Londres como um centro financeiro global contra a onerosa regulamentação da União Europeia. As informações são da Dow Jones. (Suzi Katzumata)

INVESTIMENTO DE FUNDOS EM COMMODITY BATE RECORDE EM PLENA RECESSÃO

INVESTIMENTO DE FUNDOS EM COMMODITY BATE RECORDE EM PLENA RECESSÃO

São Paulo, 2 - O fluxo de dinheiro para os mercados futuros de commodities registrou crescimento recorde no primeiro semestre do ano, anunciando uma aposta dos investidores na recuperação da economia e em futuras pressões inflacionárias. Segundo levantamento preliminar do banco de investimento Barclays Capital, fundos aplicaram mais de US$ 36 bilhões em contratos de metais, combustíveis e produtos agrícolas nos seis primeiros meses do ano, o que significa um crescimento de 86% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os investidores enxugaram suas carteiras de commodities depois do estouro da crise financeira, há quase um ano. Os preços de vários produtos desabaram mais de 50% até março, quando começaram a reagir. Desde então, os fundos não apenas aumentaram suas aplicações como reverteram sua posição nas bolsas. Ou seja, liquidaram contratos de venda e abriram posições de compra. Na prática, deixaram de apostar na queda para apostar na alta dos preços.

Apenas no mercado futuro da soja, os fundos abriram quase 100 mil contratos de compra entre março e junho deste ano, segundo dados da Comissão de Comércio de Commodities e Futuros dos Estados Unidos (CFTC). O número corresponde à aquisição de 13,6 milhões de toneladas - ou dois terços da soja colhida este ano no Mato Grosso. Em maio, o saldo total de compra dos fundos nas bolsas americanas de commodities superou a marca dos 800 mil contratos, maior nível desde julho de 2008.

O comportamento dos preços no segundo trimestre mostra que os especuladores foram recompensados. O índice de commodities CRB, que havia caído nos três trimestres anteriores, subiu 13,4% e já acumula alta de 8,9% em 2009.
Outro índice de commodities, o S&P GSCI, registrou em maio sua maior alta mensal desde setembro de 1990 (20%).
Produto com maior peso nas cestas de commodities, o petróleo disparou mais de 30% entre abril e junho; o açúcar, 26,7%; e o cobre, 22,5%.

A reação dos mercados de commodities surpreendeu muitos analistas e levanta dúvidas sobre sua sustentabilidade, já que o mundo continua mergulhado numa das piores recessões da história e sem sinais claros de recuperação. O que mais chama a atenção é o fato de que as matérias-primas que mais se valorizaram nos últimos meses estão entre as mais atreladas ao desempenho da economia.

Inicialmente, analistas acreditavam que produtos agrícolas e metais preciosos seriam as primeiras commodities a se recuperar, levando-se em conta que a demanda por alimentos é menos sensível a variações de renda e o ouro é um ativo muito procurado em tempos de incerteza e aversão ao risco.

Os analistas estavam errados. De acordo com o índice Dow Jones-UBS, os contratos de metais básicos e energia, que deveriam demorar mais para se recuperar, foram os que deram mais retorno no primeiro trimestre - a carteira de metais teve valorização média de 22,4%, enquanto a de energia ganhou 17,4%. Commodities agrícolas e metais preciosos avançaram apenas 5,6% e 1,3%, respectivamente.

"De modo geral, parece que os ciclos de preço das commodities estão acelerando, enquanto os ciclos de investimento físico estão ficando cada vez mais demorados", afirma relatório do Barclays Capital. Para o banco, a mudança na percepção dos investidores em relação à crise e ao potencial de recuperação das economias foi suficiente para que o interesse pela compra de commodities fosse reativado.

Nilson Monteiro, diretor de commodities da Link Investimentos, diz que mercado está "precificando" agora um cenário que não deve se concretizar antes de meados de 2010. Como muitos analistas, ele acredita que as medidas de estímulo econômico praticadas pelos governos de todo o mundo - e que culminaram na injeção de alguns trilhões de dólares nas economias - vão pressionar a inflação no médio prazo.

Juro zero - Como ativos físicos, os preços das commodities tendem a refletir bem a inflação, o que ajuda a explicar o interesse por essa classe de ativos. "Como os juros estão perto de zero nos países desenvolvidos, as commodities tornaram-se um hedge (proteção) muito barato", explica um analista de um grande banco brasileiro.

O levantamento do Barclays ajuda a sustentar essa tese. Cerca de dois terços dos US$ 15 bilhões que entraram nas commodities no último trimestre vieram de fundos indexados, os chamados index funds. Ao contrário dos fundos de hedge, que compram e vendem ativamente, na tentativa de acertar as tendências de preço, os index funds assumem uma posição passiva de compra. Tratam-se essencialmente de investidores de longo prazo, como os fundos de pensão norte-americanos.

"Eles não estão investindo porque o petróleo passou de US$ 70. Eles estão lá para o longo prazo, caso o barril chegue a US$ 200", disse recentemente Michael McGlone, diretor de indexação de commodities da Standard & Poor's.

Tais como os aposentados do Norte, alguns governos também têm aplicado recursos em commodities por meio de seus fundos soberanos. "Catar, Cingapura e China são apenas alguns dos países que estão acompanhando as commodities mais de perto, com foco na diversificação de suas reservas", afirma o Barclays. Segundo o banco, o interesse não se limita à compra de contratos futuros. "Adquirir participação em companhias do setor a fim de assegurar oferta no longo prazo tornou-se igualmente popular".

Apetite chinês - O caso da China é emblemático. Detentor de mais de US$ 2 trilhões em suas reservas internacionais, o país tem manifestado preocupação com a desvalorização do dólar nos últimos anos, a ponto de discutir com outros países em desenvolvimento a criação de uma nova moeda de reserva para o mundo. Ao mesmo tempo, a China é o maior importador mundial de matérias-primas, especialmente de metais industriais e alimentos, cujos preços tendem a subir no longo prazo.

O Partido Comunista então aproveitou os preços relativamente baixos de minérios e grãos e recompôs seus estoques, com o objetivo de abastecer as indústrias locais durante o processo de recuperação da economia. A estratégia fez com que as importações chinesas de diversos produtos batessem recorde no início de 2009, aumentando de modo significativo sua participação na demanda mundial por commodities.

Entre janeiro e abril, por exemplo, a participação da China na demanda por aço atingiu 43%, ante 39% um ano antes. No mercado de cobre, sua fatia cresceu de 27% para 38%. Além disso, a China deve responder por 53% da demanda internacional por soja na safra 2008/09, ante 48% em 2007/08.

"Em sua gestão das reservas internacionais, o Partido Comunista provavelmente teve melhor desempenho que a maioria dos fundos privados no último ano. A China capitalizou a crise financeira que paralisou as economias 'desenvolvidas' ao estocar commodities baratas, minar a competição de suas principais estatais e adquirir mais ativos internacionais", afirma o Barclays.

Segundo analistas, o apetite chinês ajuda a explicar, com base em fundamentos, a forte recuperação das commodities metálicas em 2009. O problema é que o processo de recomposição dos estoques parece estar perto do fim, o que pode retirar o suporte em que o mercado se sustentou nos últimos meses. "Além disso, para a China produzir, o mundo precisa comprar. E aí está a questão: Os Estados Unidos, principal cliente, continuam patinando; Europa e Japão também", alerta Nilson Monteiro.

Férias de verão - Monteiro prevê uma acomodação dos preços das matérias-primas no terceiro trimestre, período de menor movimento nas bolsas por causa das férias de verão no Hemisfério Norte. Na verdade, os mercados já corrigiram parte dos ganhos expressivos do último trimestre nas duas semanas finais de junho, o que revela uma maior cautela em relação à demanda e à recuperação das economias.

Segundo analistas, sinais de agravamento da recessão e novos surtos de aversão ao risco podem derrubar novamente os preços. A própria elevação das commodities pode atrasar a recuperação da economia. "Para cada dólar de aumento no preço do petróleo, o mundo gasta mais US$ 30 bilhões em consumo", alerta Vinícius Ito, operador de commodities agrícolas da corretora Newedge US, em Nova York.

Monteiro se diz otimista em relação aos preços das commodities no longo prazo, mas não arrisca previsões. "É difícil falar em tendência depois do que aconteceu em agosto do ano passado. Estamos diante de variáveis que são inéditas e precisam ser estudadas. A alta recente pode sinalizar uma reversão de tendência, mas também pode ser apenas uma correção da forte queda ocorrida após o estouro da crise", diz. "De fato, entre todas as mudanças que colocaram as commodities em ebulição nos últimos tempos, a mais importante é a de que o 'normal' não é mais o que costumava ser", sentencia o Barclays. (Gerson Freitas Jr.)