segunda-feira, 6 de julho de 2009

Esta charge do Ique foi feita originalmente para o JB on line Boa noite!

ESPECIAL: SIDERURGIA GLOBAL TAMBÉM SE RECUPERA; EXCEDENTE PREOCUPA

ESPECIAL: SIDERURGIA GLOBAL TAMBÉM SE RECUPERA; EXCEDENTE PREOCUPA

Londres, 6 - As siderúrgicas de todo o mundo estão elevando preços e produção em resposta ao aumento das encomendas de clientes-chave dos setores automotivo e de construção. No entanto, as fabricantes de aço alertam que a demanda ainda é frágil e que a capacidade de produção excedente continua sendo uma ameaça para o setor global, particularmente se a produção crescer muito rapidamente.

Produtores dos EUA e da Europa aumentaram os preços para aço plano em US$ 50 por tonelada ou mais e, em alguns casos, reiniciaram a produção que estava paralisada. Os movimentos surgem à medida que os clientes fazem encomendas por causa dos baixos estoques e que as montadoras aumentam a produção de carros novos.

Na China, a nação que mais produz aço no mundo, as siderúrgicas estão operando perto da capacidade para satisfazer a demanda gerada pelo pacote de estímulo econômico de 4 trilhões de yuan (US$ 585,44 bilhões). Mas, apesar de alguns pontos positivos nas economias emergentes, como a China, as siderúrgicas alertam que a demanda global não vai voltar ao nível recorde atingido no ano passado antes de 2011, no mínimo. Como resultado, muitas usinas terão de operar abaixo das taxas de produção ideais até lá.

"A não ser que a demanda real mostre aumento além da recuperação dos estoques, corremos o risco de pressões negativas sobre os preços" novamente, afirmou John Lichtenstein, diretor-geral do Grupo da Indústria de Metais da Accenture.

Segundo Wolfgang Eder, executivo-chefe da austríaca Voestalpine, o setor de siderurgia da União Europeia "precisa fechar entre cinco e seis usinas, particularmente no Leste da Europa", para melhorar a saúde da indústria e suas margens de lucro. Esse número de usinas equivale a entre 20 milhões e 30 milhões de toneladas de capacidade anual de produção ou a 10% das 200 milhões de toneladas de aço produzida anualmente na União Europeia.

"O excesso de capacidade é muito difícil de administrar", afirmou André Gerdau Johannpeter, presidente da brasileira Gerdau. "Estamos em modo de sobrevivência porque não sabemos quanto tempo" vai demorar para a demanda se recuperar,acrescentou o executivo.

De acordo com executivos do setor, analistas e consultores, as usinas de aço integradas, que correspondem a cerca de dois terços da produção total mundial, precisam operar a uma média de 75% de sua capacidade completa para equilibrar despesas e lucro. Fornos a arco elétrico, que representam um terço da produção global, precisam operar a cerca de 60%.

No momento, a indústria de aço mundial opera ao redor de 73% de sua capacidade e 62% se a China for excluída, segundo a Macquarie Commodities Research. Nos EUA e na Europa, as taxas de utilização estão ainda mais baixas, a 48% e 52%,respectivamente.

Siderúrgicas como a russa Severstal, a brasileira Gerdau e as norte-americanas Nucor e Steel Dynamics já concordaram que o setor precisar eliminar excesso de capacidade para poder voltar à lucratividade. "Estamos começando a ver alguns sinais de recuperação na nossa indústria", afirmou Lakshmi Mittal, executivo-chefe da maior siderúrgica do mundo, a ArcelorMittal. "Mas a situação da capacidade excedente provavelmente vai continuar neste ano e depois dele, particularmente no mundo desenvolvido", acrescentou.

A maior parte do excesso de capacidade que provavelmente precisará ser eliminado está nos países desenvolvidos, já que a demanda local permanece limitada. Países que são altamente dependentes de exportações, como a Rússia e a Ucrânia,também terão de considerar o corte de capacidade por causa da reduzida demanda mundial, segundo executivos do setor. As informações são da Dow Jones. (Danielle Chaves)

FONTE: BANCO BRASILEIRO VOLTA A CONTRATAR LINHA EXTERNA DE 2 ANOS

FONTE: BANCO BRASILEIRO VOLTA A CONTRATAR LINHA EXTERNA DE 2 ANOS

São Paulo, 6 - Os bancos brasileiros voltaram a acessar no mercado internacional linhas de crédito destinadas ao financiamento do comércio exterior com prazos de dois anos. E já é possível constatar alguns vencimentos de até três anos, segundo o executivo de uma instituição financeira que falou sob a condição de não ser identificado. Esse cenário é bem diferente daquele registrado no período mais agudo da crise, quando as operações eram restritas e com duração de cerca de 90 dias. A melhora nas condições decorre da percepção de redução do risco no sistema financeiro global que, inclusive, vem contribuindo para a queda das taxas de juros.

Nessa modalidade de crédito, os bancos com atuação no mercado brasileiro buscam com instituições no exterior, os chamados bancos correspondentes, linhas de empréstimo em moda estrangeira, que em geral são destinadas ao financiamento de exportação e importações.

Em meados de setembro, com o agravamento da crise externa, essas linhas praticamente secaram, comprometendo o repasse de recursos no mercado interno. Nos meses de outubro e novembro, os bancos brasileiros apenas conseguiam acessar operações com prazo máximo de 90 dias e em volumes reduzidos. A partir do final de dezembro os prazos começaram a dar sinais de alongando. Para o prazo de até 360 dias, o executivo afirma que os volumes retornaram aos patamares praticados em 2008, até agosto. Essa modalidade também já registra um número relevante de operações de dois anos. E, em alguns poucos casos, o prazo chega a três anos.

A partir da quebra do Lehmann Brothers, em meados de setembro, os bancos correspondentes que faziam essas operações se retraíram. Alguns reduziram os volumes e outros suspenderam completamente esses empréstimos. Passado o período de maior pânico, os recursos voltam ao mercado.

Esse mercado ainda constata queda gradual das taxas de juros. "Todas as taxas, independente dos prazos, caíram em relação às praticadas há dois meses", disse. Em setembro, essas taxas dispararam, o que contribuiu para a redução dos volumes das operações. De janeiro para cá, elas veem cedendo. No entanto, a fonte acredita que, apesar da queda do custo do crédito, as taxas não voltarão aos patamares pré-crise neste ano.

No período mais agudo da crise, quando os bancos encontravam dificuldade para tomar recursos no exterior e repassar às empresas, o Banco Central precisou fazer leilões de moeda estrangeira para contornar essa restrição. No entanto, com a melhora gradual nas condições de prazos e taxas dessas linhas, a autoridade monetária deixou de realizar esse tipo de oferta - a última foi em abril. Pelo contrário, em maio voltou a comprar moeda estrangeira para recompor as reservas internacionais.
(Ana Paula Ribeiro)

MOODY´S: RESPOSTA DO BRASIL A CHOQUE INDICA ECONOMIA MAIS FORTE

MOODY´S: RESPOSTA DO BRASIL A CHOQUE INDICA ECONOMIA MAIS FORTE

São Paulo, 6 - O diretor regional de Moody's para a América Latina, Mauro Leos, afirmou à Agência Estado que a boa resposta da economia do País ao choque externo provocado pela recessão mundial foi um dos principais motivos que levaram à agência internacional a iniciar um processo de revisão do rating soberano. "A pronta reação do Brasil à crise mostrou que está mais forte em termos relativos a outros países que possuem até ratings superiores", comentou.

Leos destacou que quando a Moody´s realiza a revisão de rating de um País em 66% dos casos ocorre o upgrade. Se isso de fato ocorrer, o Brasil pode até outubro ver elevadas pela instituição as notas relativas à dívida pública em reais e passivo em moeda estrangeira de Ba1 para Baa3. Esta é a primeira nota da categoria investment grade, avaliação concedida no ano passado pela Standard&Poor´s e Fitch Ratings.

"A condução da política econômica nos últimos anos, sobretudo com inflação sobre controle pelo Banco Central e compromisso com a estabilidade fiscal, foram muito importantes para que o Brasil atingisse o atual estágio econômico que lhe permitiu enfrentar bem o choque externo", comentou. "Em termos comparativos, o Brasil está bem melhor que vários países porque as ações do governo de ordem fiscal e monetária foram rápidas e elevaram a resistência do País, que registrou uma desaceleração do nível de atividade, mas não está passando por uma crise", afirmou.

Mauro Leos elogiou os comentários realizados hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos quais enfatizou que o Brasil tem um compromisso permanente com a boa gestão fiscal e que o superávit primário de 2,5% do PIB para este ano será alcançado. De acordo com o ministro, tal poupança do Orçamento será elevada para 3,3% do PIB em 2010 e o tamanho da dívida pública em relação ao produto interno bruto deve atingir de 40% a 41% em 2009, mas no ano que vem vai alcançar o mesmo patamar ou até cair. "As posições expressas pelo ministro Mantega são bastante relevantes e reforçam o quanto o Brasil está engajado em administrar de forma eficiente as contas públicas no longo prazo", disse.

No dia 28 de abril, em entrevista à AE, Leos afirmou que no começo deste semestre uma equipe de analistas faria uma visita ao Brasil, a partir da qual poderia começar um processo de revisão de rating soberano. O fato de tal fato ter ocorrido antes da viagem dos técnicos da agência de rating pode ser interpretado como uma indicação de que a agência pode conceder em breve o upgrade ao País. (Ricardo Leopoldo)

MOODYS: EM 66% DOS CASOS DE REVISÃO DE RATINGS OCORREM UPGRADE

MOODYS: EM 66% DOS CASOS DE REVISÃO DE RATINGS OCORREM UPGRADE